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A direcção do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, no seu primeiro relatório sobre o FITEI 2008, torna públicos os números do festival, que teve 19.314 espectadores. Trata-se de um forte crescimento, para mais num festival que teve menos espectáculos.
O FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica realizou a sua 31ª edição, que decorreu entre 28 de Maio e 8 de Junho de 2008.
A rede de parcerias com outras instituições da cidade do Porto e do País, a atribuição em Fevereiro último do Prémio “Max Hispanoamericano de las Artes Escénicas”, numa cerimónia que decorreu em Sevilha, e a forte presença de Espanha e de espectáculos de teatro de rua, marcaram esta edição do festival.
Devido às conhecidas limitações orçamentais do festival, tratou-se de uma edição mais pequena, por comparação com os anos anteriores, mas apresentou uma programação diversificada e de reconhecida qualidade.
Artistas Unidos, Teatro Meridional, Ar de Filmes, Núcleo de Experimentação Coreográfica, Assédio, com uma estreia absoluta no Festival, Circolando e Teatro do Bolhão constituíram a presença portuguesa no FITEI.
Na programação oficial, Espanha foi o país, a seguir a Portugal, com mais representação no FITEI 2008, assegurando alguns dos momentos mais altos do festival, com os espectáculos "Las que Faltaban" de Antónia San Juan, actriz que trabalhou com Pedro Almodôvar e a dupla apresentação dos Nut Teatro, jovem companhia galega, com os espectáculos "4.48 Psicose" e "Corpos Disidentes" , a par dos três espectáculos de teatro de rua Alma Candela, Dinomáquia 2 e Kamchatka.
Do Brasil, o regresso do Folias d’Arte ao FITEI com "Orestéia - O Canto do Bode", espectáculo comemorativo de dez anos de actividade da companhia, viria a revelar-se, segundo o público e a crítica, um dos maiores êxitos desta edição. A companhia brasileira e os Nut Teatro da Galiza foram as companhias que fizeram os espectáculos de extensão do FITEI 2008.
A presença de África ficou este ano entregue ao Teatro Meridional que, embora sendo uma companhia portuguesa, apresentou “Contos em Viagem – Cabo Verde”, protagonizado pela actriz cabo-verdiana Carla Galvão.
Em torno deste núcleo central, decorreram exposições, lançamentos de livros, entre outras actividades paralelas. Com alguns dos autores/encenadores convidados para esta edição, o FITEI lançou a secção especial “Oficinas FITEI”, com workshops e masterclass. Com esta iniciativa, o FITEI pretende promover novas experiências formativas à actual geração de jovens estudantes das escolas do Porto e região norte do país.
Um dos nomes em destaque no FITEI foi o autor espanhol Juan Mayorga (nasceu em 1965, em Madrid), com duas peças a integrar o cartaz do festival, pelos Artistas Unidos. Juan Mayorga orientou uma masterclass dirigida a estudantes e profissionais de teatro, cinema e jornalismo, apresentou o seu livro “O Rapaz da Última Fila” e foi o autor da mensagem ao festival.
Também integrada nas “Oficinas FITEI”, a destacada criadora contemporânea Anna Vallés orientou um workshop com alunos das escolas de teatro do Porto, que culminou com a apresentação pública de “El vício de mirar” e o cenógrafo brasileiro Ulisses Conh trabalhou uma oficina de cenografia com alunos da ESMAE.
Ainda nas actividades paralelas, a Xunta de Galicia - Consellaría de Cultura e Deporte e o Instituto Galego das Artes Escênicas e Musicais, escolheu o FITEI para a apresentação em Portugal do Plano Galego das Artes Cénicas, um documento que visa promover a difusão social, reforçar a estabilidade das empresas, fomentar a criatividade e promover a protecção exterior do sector cultural na Galiza, cruzando as dimensões social, artística e económica das artes do espectáculo. Tratou-se de uma oportunidade única de conhecer os eixos estruturais da cultura na região galega em contraposição com o que se faz em Portugal.
Também da Galiza, e também com o apoio do IGAEM, foi apresentada no Porto a exposição “125 anos de Teatro Galego”.
O FITEI participou na produção de “A Caminho do Resto do Mundo”, filme/documentário de Pedro Maia que resulta do cruzamento entre o registo do espectáculo “O Resto do Mundo”, estreado e co-produzido pelo XXX FITEI, e de um workshop realizado na Fundação de Serralves com 8 jovens dos bairros de S.João de Deus, Lagarteiro e Cerco do Porto, onde os participantes foram desafiados a filmarem, em Super 8, a sua visão pessoal do bairro a que pertencem. O filme foi estreado no FITEI 2008, integrado nas Actividades Paralelas. Ainda na sequência deste projecto, o fotógrafo Paulo Pimenta expôs “Vou ao Porto”, fotografias de famílias onde o táxi de “O Resto do Mundo” passou diariamente em 2007.
O festival de 2008 teve uma dedicatória especial a José Cayolla, falecido há 10 anos, numa homenagem que integrou a edição dum livro sobre a vida e a obra deste encenador que foi director executivo do FITEI, da autoria do jornalista Jorge Ribeiro, para além de uma instalação da autoria de Ana Luena.
Na linha do que tem vindo a ser habitual, o FITEI saiu do Porto numa rede alargada de extensões e apresentou em parceria com o Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Aveirense, Teatro de Vila Real, Encontros de Teatro de Torre de Moncorvo e O Teatrão de Coimbra, uma série de extensões de alguns dos espectáculos presentes nesta edição do Festival. Os Nut Teatro apresentam a peça Corpos Disidentes em Vila Real, no dia 30 de Maio, e em Aveiro, a 31 do mesmo mês. 4.48 Psicose, outro espectáculo daquela companhia galega esteve em cena em Torre de Moncorvo a 28 de Junho. O Folias d’Arte do Brasil apresentou-se também em Lisboa e Coimbra.
O FESTIVAL EM NÚMEROS
13 Companhias
15 Espectáculos diferentes
21 Representações
15 Actividades paralelas
10 Representações em extensão
46 Acções no total
8 Salas de espectáculos
13 Outros espaços
19.314 Espectadores

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